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Marco Lallo*
Missão mais que crítica
Começamos a trabalhar com automação eleitoral no final de 1995, quando par ticipamos da concorrência para a fabricação da primeira urna eletrônica, chamada, naquela ocasião, de CEV (Coletor Eletrônico de Votos). Vencer as concorrências públicas sempre foi uma tarefa extremamente difícil, mas executar contratos no tempo definido é o maior desafio. Na produção das urnas eletrônicas não há espaço para atrasos, pois a eleição não pode ser adiada. Você pode imaginar adiar a eleição por falta de equipamentos?
O cronograma macro do projeto é definido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no edital de concorrência pública, que é normalmente publicado com mais de um ano de antecedência das eleições. Ao final do processo de concorrência, depois de definida a empresa vencedora, o contrato é assinado. É a partir deste momento que o cronograma começa a ser detalhado, alterado, adaptado e corrigido. Isso ocorre frequentemente ao longo da execução do contrato, mas a data final das entregas é imutável. Nós chamamos carinhosamente esta data de “paredão”. O paredão está sempre lá, em um futuro próximo, estático e inexorável, esperando que tudo esteja concluído no prazo. E não são poucos os desafios.
Para quem não sabe, o edital de concorrência descreve o que deve ser feito, quando e como, embora, durante a execução do contrato, sempre apareçam algumas novidades, para as quais precisamos estar sempre alertas. O TSE já publicou oito editais para urnas eletrônicas. Nós participamos de todas as concorrências e pudemos observar como estes editais vêm evoluindo, com constantes aperfeiçoamentos e incorporando novas tecnologias. Em 1995, o primeiro edital tinha poucas páginas, mas, como as urnas eletrônicas evoluíram muito nos últimos 14 anos, agora os editais apresentam mais de 300 páginas. Mesmo assim, algumas pessoas podem imaginar que fazer uma nova urna eletrônica é tarefa fácil, mas garantimos que não é!
No projeto das urnas eletrônicas sempre existem muitos desafios e surpresas envolvendo hardware, software, logística, manutenção e muito mais. Novamente, o tempo aparece aqui como uma grande dificuldade, pois precisamos projetar, testar, homologar, produzir, transportar e entregar tudo em aproximadamente um ano! Fazer tudo isso acontecer no prazo é mais uma questão de dedicação do que de organização. Não que a organização de todas as atividades seja trivial; não é, mas só mesmo quem participa desta empreitada sabe quantas equipes são envolvidas nas inúmeras tarefas necessárias e quão dedicadas estas pessoas são. Extremamente conscientes da importância de suas atividades, das tarefas mais simples às mais complexas, os envolvidos não medem esforços e percebemos nitidamente o orgulho com que cada um faz, com dedicação, seu trabalho.
Outro aspecto importante é a experiência acumulada por nossas equipes nas produções das urnas eletrônicas que realizamos em 1998, 2000, 2004, 2006, 2008 e 2010, facilitando nosso planejamento e a identificação dos riscos, assim como permitindo que as equipes trabalhem de forma cada vez mais integrada e cooperada, fazendo mais em menos tempo. Os trabalhos que desenvolvemos durante esses mais de dez anos em parceria com as equipes da Justiça Eleitoral nos trouxeram inestimável aprendizado e melhor conhecimento das eleições brasileiras, repletas de grandes desafios tecnológicos e logísticos. Com o que já aprendemos com eles, pudemos aperfeiçoar nossa atuação, realizando melhor nossas atividades, auxiliando-os no contínuo aperfeiçoamento das urnas eletrônicas.
Você pode imaginar que, em função do cronograma sempre aper tado, a complexidade das atividades e o grande número de pessoas envolvidas, as equipes trabalham, muitas vezes, no limite. São equipes da Diebold, de nossos fornecedores, assim como da Justiça Eleitoral, que trabalham de forma interdependente e que estão sempre negociando por recursos, prazos, informações e tudo mais. Neste ambiente de muita adrenalina, o relacionamento entre as pessoas é de crucial importância, pois saber lidar com as peculiaridades de cada profissional pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso. Cultivar um ambiente de profissionalismo, confiança e amizade garante resultados significativos, principalmente em momentos decisivos. Manter esse ambiente não é trivial, requer um cuidado contínuo e persistente, que pode ser seriamente abalado por uma simples atitude inadequada.
Participar desse processo exige muita dedicação, mas traz muitas realizações. A maior delas ocorre quando chega o dia da eleição, pois nós, assim como pais e mães orgulhosos que acompanham os feitos dos filhos, observamos com atenção o desempenho das urnas eletrônicas e, à noite, quando os resultados são divulgados, uma enorme sensação de dever cumprido nos toma, pois sabemos que realmente par ticipamos de um projeto muito importante.
* Marco Lallo, PMP, é Engenheiro Eletrônico pela USP, com MBA pela FIA e Gerente de Automação Eleitoral da Diebold Brasil